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Kassab mandou arquivar investigação de fraudes, diz auditor
09/11/2013   
O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) mandou arquivar um procedimento aberto para apurar denúncia de que o chefe da arrecadação de sua gestão enriqueceu de forma ilícita, afirma o próprio servidor em grampo obtido pela Folha.
Kassab diz que as acusações do servidor são "mentirosas" e que repudia tentativas "sórdidas" de envolver o seu nome.
Kassab diz que afirmações de Ronilson em conversa são 'mentirosas'
O auditor Ronilson Bezerra Rodrigues ocupava o cargo de subsecretário da Receita da administração Kassab.
Foi preso na semana passada sob a acusação de liderar um esquema de cobrança de propina de grandes incorporadoras em troca de redução de ISS, no período em que exerceu a função.
Em 2012, Rodrigues era alvo de um expediente interno (uma investigação preliminar) aberto a partir de uma denúncia anônima para investigar o seu elevado patrimônio que, agora, descobre-se, é incompatível com seus rendimentos.
Na gravação, ele relata a outro fiscal como, em sua versão, o ex-prefeito decretou o fim da apuração.
"Vou dizer o que o corregedor [Edilson Bonfim] fez comigo. Ele pegou a declaração de bens da prefeitura, com a evolução patrimonial, foi no Kassab", conta.
Segundo ele, a conversa entre o corregedor e Kassab lhe foi relatada pelo chefe-de-gabinete do então prefeito.
"Isso o João Francisco Aprá, chefe-de-gabinete do Kassab, me contando. Ele falou: 'olha, a evolução é compatível, mas eu queria abrir a conta dele'. E o Kassab: 'não, não tem motivo'. E falou: 'então arquiva'. Arquivou."
Em setembro de 2012, Rodrigues chegou a ser ouvido, mas o procedimento não chegou a resultar na abertura de uma investigação formal.
Kassab, em nota, alega que a apuração, mesmo preliminar, foi transferida para a administração Haddad. A gestão petista diz que o procedimento se "limitou a ouvir o investigado" e que "nenhum encaminhamento foi dado à época e o processo ficou parado".
No áudio, Rodrigues conversa com o fiscal Luiz Alexandre Cardoso de Magalhães, conhecido como "Louco". Foi Magalhães quem gravou a conversa neste ano ela foi anexada às investigações da máfia do ISS.
"Louco" fez um acordo de delação premiada com o Ministério Público para ter sua pena reduzida. Ele contou aos promotores do caso que gravou os fiscais que atuavam com ele para se proteger.
No fim da gestão Kassab, o o auditor acusado de liderar o esquema de fraudes foi alvo de outra investigação, esta arquivada após parecer do então secretário de Finanças Mauro Ricardo. Na gestão Haddad, ele ocupou até junho o cargo de diretor da SPTrans.
 
 
 
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